Manipulação de Informação - Criação de factos políticos, pseudo-acontecimentos e manobras de diversão)
"Ele acreditava que os três princípios do seu trabalho eram dizer a verdade, dar às pessoas uma janela para a Casa Branca e proteger o Presidente, mas o último imperativo, muitas vezes, tornava difícil cumprir os dois primeiros".
Howard Kurtz sobre Mike McCurry - porta voz do Presidente dos EUA, Bill Clinton - (Nos Bastidores do Jogo Político)
Citação
" O conceito de pseudo-acontecimento foi introduzido em 1961, por Daniel Boorstin. Refere-se a todos os eventos fabricados ou concebidos para serem noticiados, tendo, por essa via, significado enquanto acontecimento mediático. Mas há outras características que nos permitem circunscrever o conceito: não é espontãneo; é produzido para ser coberto pelos media; quanto maior é o impacto da sua cobertura, maior a sua importãncia; tem apenas uma relação muito ténue com a realidade política; funciona como autopromoção.
Há quem argumente que os debates e as entrevistas são exemplos de pseudo-eventos, na medida em que são claramente artificiais e organizados: na forma como os participantes aparecem, as questões são colocadas e as respostas cuidadosamente construídas. Por outro lado, são, na maior parte dos casos, transmitidos em directo, e a audiência tem oportunidade de fazer julgamentos sobre os actores políticos com base no seu desempenho. Mais próximo ainda deste conceito, estão os congressos dos partidos que deixaram de ser, prioritariamente, fóruns de debate político e de tomada de decisões e passaram a ser organizados como espectáculos, concebidos para a maximização de uma cobertura jornalística favorável."
"Nos Bastidores do Jogo Político", Vitor Gonçalves, Minerva Coimbra, pág. 57 e 58
O Pseudo – evento
“A conferência de imprensa de Fátima Felgueiras, no passado dia 11, transmitida em directo na abertura dos principais noticiários dos três canai
s de televisão constitui um pseudo – evento, no sentido em que o define Daniel Boorstin – acontecimentos “artificiais”, não espontâneos, criados para serem cobertos pelos media cujo sucesso depende da amplitude da sua cobertura. Correspondem à procura crescente de notícias que caracteriza as democracias contemporâneas. Os políticos e os jornalistas são os maiores criadores de pseudo – eventos. Os primeiros porque precisam de ser notícia, na medida em que essencialmente através dos media que transmitem aos cidadãos as suas propostas e as expectativas dos seus públicos em matéria de informação. Para corresponderem a essas expectativas, e não existindo acontecimentos “naturais” em número suficiente para “alimentar” a procura de notícias, os media criam pseudo – eventos.”“Para compreender o jornalismo”, Estrela Serrano, MINERVACOIMBRA, Pág. 169

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